01/05/2015

Casa Matria



 A Casa Matria inicia uma nova etapa no ciclo natural das construções sociais. Ampliando as possibilidades de fomentação cultural, estamos organizando atividades artísticas diversas, convocando grupos e qualificando o espaço físico para melhor atender. 

 Com o intuito de agregar, vamos trabalhando dia a dia nesta missão, sendo que necessitamos da vontade de todos para que algo grande aconteça. Dentre tantas atrocidades que acontecem no cotidiano da nossa cidade, temos a Casa Matria, como um ponto de paz e organização cultural. As lutas que envolvem nossa instituição são amplas; Ambiental, tendo em vista a verdadeira guerra desproporcional com grandes corporações que devoram o meio ambiente, a exclusão da população ao cotidiano artístico e da educação de base. Tantos problemas para citar, mas estamos dedicados em contribuir na diminuição destes danos sociais. 

 Outro ponto especifico desta luta é a união da sociedade civil, este que anda em passos lentos  e atrasados nos interesses pessoais, esquece que unindo as forças, vamos não somente melhorar a nossa situação pessoal, mas mudaremos um
todo. Com a proposta de informação para formação, estamos organizando cines clubes, saraus, encontro musicais, oficinas diversas, palestras, fornecendo espaço de ensaio, grupos de estudos. Sempre pensando em uma causa maior, o Buen Vivir, a relação humana e a arte que nos move diariamente.
A doação de cada envolvido será ponto chave desta luta.
Nossa bandeira é simples e justa, seguir nossa constituição de forma clara e defendendo o verdadeiro progresso, o bem estar.

Constituem objetivos fundamentais da República, segundo o artigo 3º:
1 - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Diz o art. 40 que a República Federativa do Brasil rege-­se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
II - prevalência dos direitos humanos;
III - autodeterminação dos povos;
IV - não-intervenção;
V - igualdade entre os Estados;
VII – solução pacífica dos conflitos;
VIII - repúdio (...) racismo;
IX - Cooperação entre os povos para o progresso da humanidade.
No art. 5º estatui a Constituição Brasileira que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito ã vida, à liberdade, à igualdade, á segurança e à propriedade.


  
    


26/03/2015

A Vila Brandão e o cavalo de Troia

Parece um presente dos Deuses – a comunidade Vila Brandão, localizada na encosta da Vitória, foi procurada pelos seus vizinhos poderosos para receber benfeitorias maravilhosas:
Um campinho de futebol digno, uma escada que desce até o mar, um dia das crianças com presentes, churrasco, bingo e festa para todos!

(fotos © ASCOMVIBRA / facebook/vilabrandão)


Tudo beleza, questão de responsabilidade social, um projeto de integração entre os bairros nobres e a ultima comunidade no meio…  o tem algo atrás dessa benfeitoria, que não seja visível no primeiro momento?

O Iate Clube tomou a frente. Se mostrou generoso, dessa vez, vindo com presentes e palavras doces. Veio para negociar uma “benfeitoria” á comunidade, afirmando no mesmo momento de ser o dono legítimo de toda essa zona verde na encosta da Vitoria, localizada ao redor, no baixo da Vila Brandão, na frente ao mar.

Se trata de uma zona verde de aprox. 4500 m2, onde tem um campinho de bambu, que sempre foi na posse da comunidade – o único lugar de lazer para as pessoas morando em casas pequenos, em becos estreitos, sem ventilação. É uma área onde os jovens da comunidade troquem os primeiros beijos e os meninos vão para “esfriar a cabeça…”, é lá onde vive uma multidão de pássaros, onde as plantas sagradas do Candomblé tem espaço para se multiplicarem.
E, sobre tudo, se trata de um pequena praia (grande parte da costa já foi invadida e privatizada pelo Iate Clube nos últimos 10 – 15 anos). Essa praia é a última praia publica da Vitória, oferecendo uma piscina natural para mergulho, um aquário cheio de peixes de todas as cores, espécies protegidas, corais… 
O Iate Clube gostaria ter um quebra-mar para criar mais vagas molhadas para os barcos deles. É a praia dos pescadores da Vila Brandão, é o lugar de lazer das famílias nos domingos, é o mar – um lugar para todos que gostam de um pouco de paz.



O Iate Clube estava com muita pressa para começar as obras de benfeitoria. A ASCOMVIBRA, associação de moradores criada recentemente, não aceitou nenhuma opinião contraria á construção do campinho.
E assim, o Iate Clube começou com as obras no inicio do mês de março, colocando tubos grossos do largo da Vitória até a comunidade, para descer o material de construção. Os tubos passaram na escada, dificultando ainda mais a descida íngreme, numa escadaria quebrada, irregular e estreita. Chegou muito material; vieram engenheiros, trabalhadores, limparam o campinho, mediram…  aprontaram o trabalho.
 


Rápido, no primeiro dia, eles fecharam com uma cerca alta de maderite uma obra que já foi embargada há anos, uma área de cimento que era de uso da comunidade, na beira do mar.  Agora, o acesso esta fechado pelos moradores.


No campinho de bambu, já tinha uma vez uma praçinha com brinquedos, oferecida por um prefeito á comunidade. Já tinha uma escada para descer lá, construído pela comunidade com o apoio dos vizinhos da casa Amarela.
Isso tudo foi destruído pelos homens do Iate Clube, há um 7 anos, que chegaram armados para tirar o brinquedo e jogar ele no mar.

E agora? Eles mudaram de idéia? Começaram de gostar da comunidade?

O presente oferecido é um cavalo de Troia: lindo, bonito, brilhante… com a bomba para estourar apenas aceito.
O Iate Clube ofereceu um contrato de comodato para o uso do campinho, de 1000 m2 a ––– Paróquia da Vitoria! Uma esquadra de esporte multifuncional, moderna, de concreto… no lugar do campinho de bambu, de posse da comunidade. O padre será o responsável do projeto.
E a associação ASCOMVIBRA, que se diz representante da comunidade, não assinou nada – dizem eles – mas pretendem que vão receber tudo! Acreditam que o campinho será da comunidade, em uso temporário. Um contrato de 25 anos (com clausulas que ninguém conhece) entre a Paróquia e o Iate Clube. Detalhe interessante: a chave do campinho fica na mão do padre. Depois desse prazo, acabou o acesso da comunidade ao campinho.
A ASCOMVIBRA aceita a tomada de posse da praia e de toda a zona verde, uma aérea de 4.000 m2 pelo Iate Clube em “contrapartida” da quadra poliesportiva. O Clube pretende construir estaleiros de 3 andares nessa ultima zona verde publica da Vitoria. E fechar tudo com um muro para impedir o acesso dos moradores. E o acesso ao mar, a praia no futuro… fica nas nuvens!
Toda a ação é completamente intransparente – a tal ponto que, a semana retrasada, foi chamada a Ouvidoria Publica do Estado da Bahia para investigar em pro da comunidade.
Eles vieram no local – e decidiram de convidar todas as partes interessadas numa audiência publica – dia 27.03.2015.
Foram convidados o Iate Clube, a Paróquia da Vitória, o prédio Wildenberg, a ASCOMVIBRA e todos os moradores e vizinhos interessados. Foi convidado também um representante da Prefeitura, o coordenador do programa Ouvindo Nosso Bairro, que já se comprometeu de realizar as melhorias necessárias para a comunidade.
O prédio Wildenberg, também, no processo do alvará de construção, foi obrigado de oferecer uma contrapartida social a comunidade.



A penas chegou o convite da Ouvidoria, o Iate Clube parou as obras. Retirou os tubos, tirou o material de construção do campinho, desfez todas as traças. Os trabalhadores sumiram de novo no território cercado do Clube.
Algumas pessoas da comunidade ficaram revoltadas com os moradores que apresentaram argumentos contra o projeto do campinho e defenderam outros caminhos, um clima de agressão se criou!
Acabou o sonho do grande presente?
O cavalo de Tróia ainda esta esperando o momento dele…

Informações detalhadas:
Responsável pela edição: Silvia Jura – Célia Mara  
Tel: +71-9390-6947

15/03/2015

Prepôtencia e mentiras: O Iate Clube e a comunidade Vila Brandão

Encontro marcado. O horário é flexível. O tempo não tem muito valor, aqui na Vila Brandão.
No campinho, na sombra dos bambu, um grupo de 10-15 pessoas esta esperando a chegada dos “homens”, dos representantes do super poderoso Iate Clube. Um projeto de benfeitoria para a comunidade foi anunciado. O presidente de um recém formada associação de moradores, a ASCOMVIBRA, é orgulhoso de apresentar a nova cooperação.

E lá vem eles - uma equipe de 4 homens brancos, todos bem vestidos, estilo informal –  arquiteto, engenheiro, responsável do Iate, assistente… Chegam sem se apresentar, só um shake-hand bem machista com o presidente da associação. Os homens abrem um mapa, explicando logo que a escada passara por aí e tudo será melhor.
Não querem responder as minhas perguntas. Não querem aceitar que se trata de um encontro com puro caráter informativo, que não é negociação. Não querem passar o mapa com projeto detalhado pra poder analisar-lo com calma, o projeto é só de palavra… mas a palavra deles vale!
Se contradizem muitas vezes. Não gostam serem filmados, evitam respostas as perguntas direitas.
Filmamos – e publicamos um pedaçinho aqui. Só pra vocês, car@s letor@as, sentirem como é a relação entre gente comum e os poderosos que tem um objetivo claro:

invadir uma área publica no valor de aproximativamente 20 milliões de Reais, na posse da comunidade da 80 anos. A áera em questão é uma ampla zona verde, um campinho de bambu e uma praia com piscina natural. É o ultima acesso publico ao mar na Vitória.



Seguem algumas afirmações dos “homens” anônimos (como já falei, infelizmente, não se apresentaram):
1.    O Iate Clube não precisa negociar com a comunidade, fera um contrato com a igreja, representante legitimo da comunidade. 
2.    Se trata de um contrato de comodato, porque não é uma doação mas é temporário.
3.    O mapa não mostra toda a realidade, porque a topografia é diferente… 
4.    Toda a aera em questão é de propriedade do Iate Clube, com escritura, sem litígio. 
5.    A construção da escadaria poderia criar problema com IBAMA, União e ser embargada, mas tudo bem… vamos ver. 
6.    O Iate Clube vai cercar toda a zona verde (infelizmente, o mapa não tem escada, assim não podemos saber qual é a distancia prevista entre as casas e a cerca) para construir estaleiros. 
7.    E muitas palavras, blábláblá…
Nos estamos com o projeto do Iate Clube na mão. Eles publicaram com antecedência na própria revista. È um projeto scandalóso, de olho grosso na posse da comunidade, invadindo terreno publico. Eles querem fechar o acesso publico ao mar para construir mais estaleiros, quadras poliesportivas e de tênis para os próprios sócios.
O projeto não prevê uma contrapartida social para a nossa comunidade, mas um Iate Clube que devera crescer sempre.
O Iate Clube esta fazendo pressão para começar com as obras. O presidente das Associação ASCOMVIBRA tambèm. Tem crianças na sua prossimidade que começam a jogar pedras nas nossas amigas e aos adversários ao projeto. 

E, entre nos, estou com mais uma duvida… a Paróquia da Vitória vai assinar um contrato de comodato de uma posse que não é dela?

Vila Brandão: 15 de março – ditadura, nunca mais!
Algumas reflexões sobre as relações em tempos autoritários, sistemas coloniais, e relacionamentos do tipo casa grande e senzala.



11/03/2015

A última zona verde da Vitória está em perigo!

As obras estão começando hoje - descem tubos imensos do largo da Vitoria para colocar o concreto diretamente na ultima  zona verde publica da Vitoria, o acesso a praia esta sendo fechado… o Iate Clube se expande.

Mesmo que aquela área está protegida pelo Decreto Municipal como área não edificável.




Uma comunidade para proteger a zona verde publica


A Vila Brandão, com a sua localização privilegiada, uma comunidade de pescadores nas encostas da Vitória há 80 anos, é um reduto de resistência às tentativas de desapropriação, intimidação, especulação imobiliária etc...
Há 5 anos, chegou até o presidente Lula o ato contra a violência que a comunidade sofreu – a tentativa de desapropriação decretada pelo ex-prefeito João Henrique favorizando construtoras selecionadas, suas  “afilhadas”.
A Vila resistiu – mas a luta continua.
Nesse momento, é uma luta judicial, contra um contrato que parece sair do manual „como enganar pobre“. Se trata de um contrato de comodato entre o Iate Clube e alguns moradores da Vila Brandão. 

Comodato ou 20 milhões na mão - quem perde é a sociedade! 



@googlemaps:

20: zona vendida ultimamente por 20 mio. ao predio Wildenberg

W: zona de desmatamento para construção do predio Wildenberg
0: zona verde publica da Vila Brandão com valor 0.- de pretenção do Yate Clube
Y: zona atual de expansão do Yate Clube 


Esse contrato de comodato, que nunca foi discutido publicamente (nós, do projeto Casa Mátria, nem tivemos o direito de vê-lo) doa uma aérea do tamanho de dois campos de futebol mais a praia, tudo de posse da comunidade, ao Yate Clube. Para construir estaleiros!
Se trata da última zona verde pública da Vitória. 
O Iate, em contrapartida, pretende fazer uma “benfeitoria” a Vila Brandão: concretizar o campinho de futebol e transformar essa posse da comunidade em contrato de comodato de 25 anos.
Interessante é saber que a área localizada do outro lado desse campinho, de ca. 4.000 m2, de posse de uma família de classe media alta há só 30 anos, foi adquirida pela mansão Wildenberg, prédio de alto luxo em construção, por um valor de 20 Milliões de Reais.
Alguém entende porque um terreno na posse de uma comunidade, não vale nada e o outro, a 100 metros de distância, tem um valor imenso?

A outra questão que nos deixou com boca aberta é esse contrato de comodato.
Um comodato é um contrato entre duas partes que prevê que alguém (comodante) entrega a outro (comodatário) um bem imóvel, para ser usado temporariamente para que seja depois restituído em perfeito estado. O comodante guarda a propriedade da coisa e o comodatário adquire a posse…Mas, no caso do comodato entre a Vila Brandão e do Iate Clube, tem um detalhe interessante: o Iate se declara proprietário de uma zona que nunca teve a posse, a Vila perde os próprios direitos de posse e vira comodatário, com obrigação de, depois do uso temporário de 25 anos – ou menos, restituir o campinho de futebol ao Yate – em estado perfeito.


Tudo pelos socios do Yate Clube - nada pela população de Salvador?



Esse contrato é a realização do projeto do Yate Clube, já descrito na revista Yacht em 2011:
“O clube terá que crescer sempre
O projeto do novo estaleiro prevê ampliação de vagas secas e molhadas, alem de implantação de uma quadra de tênis!"

A capa da revista já nos mostra até onde irá o caminho – acabou a Vila Brandão, acabou o acesso dos pescadores ao mar, acabou a última praia pública da Vitória! O Yate pretende construir estaleiros de 3 andares em beira mar e fechar a ultima praia publica!

Queremos uma zona verde publica - um acesso ao mar para tod@s

A luta da Vila Brandão, junta aos moradores da Graça, da Vitória e da Barra continua:
Queremos um lugar para todos, uma zona verde de fácil acesso para a Vila Brandão e suas famílias, para os moradores da Graça, da Vitória, da Barra – para a cidade de Salvador.
Queremos uma praia viável para os nossos pescadores, para o projeto de natação do campeão de triátlon Alleyson Leite!

Queremos uma zona pública na beira mar, um mar de fácil acesso para mergulho, natação e stand up, uma zona de reflorestamento de mata atlântica para abrigar toda biodiversidade da nossa área – os pássaros, papagaios, micos que estão vivendo aqui.
A Vila Brandão, a sua zona verde e a praia dos pescadores são patrimônio público. Vamos salvá-la da especulação Imobiliária - da privatisação!



17/10/2014

Yachtclub, Especulação na Brandão e um outro esemplo: Vila Autódromo


A Vila Brandão esta sofrendo de novo, nesse período, um ataque pesado pelo Yachtclub. 
Vou postar em breve um artigo detalhado sobre o projeto do Yachtclub, que prevê a eliminação a longo prazo da nossa Comunidade, colocando prédios de 3 andares, estaleiros e oficinas na beira do mar - na ultima zona verde publica da Vitoria!
O projeto prevê um quadra esportiva de uso e acesso exclusivo pelos sócios do Yachtclub  - no lugar da aera verde da comunidade, único lugar recreativo dos moradores da Vila Brandão e das comunidades nas vizinhanças. Se trata do ultimo acesso ao mar livre e publico na Vitoria!
(projeto: palestras esportivas / casamatria 2011)

O Yachtclub, que esta invadindo da tempo o terreno da marina para se enriquecer, esta negociando um contrato de aluguel (comodato) para essa quadra por os próximos 25 anos á comunidade. Depois acaba o direito de usar o espaço.
Porque a associação dos moradores da Vila Brandão quer assinar um contrato desse tipo? Quero respostas!
Vamos apresentar mais fatos no próximo post. 

Mas agora, quero mostrar um exemplo de uma comunidade no Rio de Janeiro, que esta lutando com vários métodos contra a especulação imobiliária. Um exemplo para a Vila Brandão, um exemplo pela associação dos moradores.



A Vila Autódromo é uma comunidade muito parecida com a Vila Brandão o a Gamboa

Localizada em área privilegiada da cidade do Rio de Janeiro, na lagoa de Jacarepaguá, está refém de especulação imobiliária. Uma comunidade que existe ha mais de 30 anos, formalizada, representada pela defensoria publica… 
A associação dos moradores abriu uma parceria multidisciplinar com arquitetos, urbanistas, sociólogos com a ETTERN na UFRJ e criaram planos alternativos pela comunidade - incluindo os aspectos de saúde, educação, saneamento básico, transporte etc.… Projetos que ganharam prêmios internacionais do Banco Alemão para serem realizados.
Mas o prefeito do Rio não quer a pareceria urbanística com a comunidade!
Ultimamente, pelas Olympiades, o grupo imobiliário Carvalho Hosken (proprietário de muita terra nas vizinhanças), junto aos conglomerados ODEBRECHT  & Andrade Gutierrez, presentearam um novo projeto pelo parco olímpico - e o prefeito Eduardo Paes (PMDB)quis remover os moradores.
A metade da comunidade esta em resistência, algumas famílias aceitaram a mudança em apartamentos do Programa Minha Casa Minha Vida a 1 KM da Vila, no Parque residencial Carioca, outras decideram ficar – e lutar parar uma re-urbanisação da comunidade, incluindo saneamento basico, crêche, ruas etc… 
Vcs. podem ler o artigo em baixo para se informar mais. 
É um exemplo da luta de uma sociedade civil forte e organizada para afrontar um governo PMDB, liderado pelo prefeito Eduardo Paes no Rio de Janeiro.


http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2014/09/moradores-da-vila-autodromo-protestam-por-urbanizacao-da-comunidade

http://favelissues.com/2011/12/14/the-olympic-juggernaut-hits-rio-de-janeiro-is-there-a-compelling-new-story-2/

http://www.boell.de/de/2014/04/19/ein-gallisches-dorf-brasilien


21/09/2014

Candomblê - Ile Axe Ala Obatalandê

" Jogo de Buzios - o caminho do segredo nos revela o conhecimento" 
Babalorixa Anderson Argolo de Oxalá - Ile Axe Ala Obatalandê
Os costumes e tradições de se consultar as divindades, atraves de oráculo de Ifa, onde o mensageiro exu e outros orixas, nos revela a vontade do sagrado, orientando como devemos agir diante do presente, observando o passado e seguindo para o futuro. Aqui encontro força , luz e respostas, orixa minha razao de viver.
Casa Matria apoia o Candomblê como espressão legitima de uma ancestralidade universal e como representança da cultura afro-brasileira. 
Acreditando num mundo de diversidade, onde religão tem muitas caras e muitas vozes, o candomblê é um esemplo de tolerância. É o caminho da dignidade, do respeito. É o cuidar coletivo do passado, do presente e do futuro. É o respeito da natureza e do ser umano. É saude, paz e prosperidade.
É a sabedoria de muitos. É o culto aos Orixas, ancestrais da umanidade.

Gostaria apresentar aqui a nossa familia que reside em Lauro de Freitas, o Ile Axe Ala Obatalandê.
Nosso pai e grande amigo Babalorixa Anderson de Oxalá é um dos fundadores da marcha contra a intôlerancia religiosa, um grande lider na luta para o respeito da cultura afro-brasileira, um representante digno do povo de santo. Aqui com uma parte da familia maravilhosa, Mãe Lele - zeladora da saude de tod@s, com essas comidas deliciosas… 

Casa Matria e Ile Axé Ala Obatalandê estão na fase preparatória de varios projetos, sejá na Vila Brandão, sejá em Lauro de Freitas.




Buen Vivir - Ökologie




Zwei Jahre schon ist es immer wieder Thema: wie setzen wir Buen Vivir in Casa Matria um? 
Unsere Community, Vila Brandão, hat ein enormes ökologisches Potential. 

Schon 2011 luden wir die Landschaftsarchitektin Vilja Larosta ein, eine Machbarkeitsstudie zu Urban Gardening und der Vermarktung von Eigenprodukten vor Ort zu machen. 
Das Konzept einer terrassenbasierten Anbaukultur entstand - und scheiterte letztendlich an der Unsicherheit an den Landnutzungsrechten. 
Die Idee von Gemeinschaftsgärten geistert aber seitdem in der Vila Brandão herum, es gab schon mehrere Versuche, kleinere Flächen gemeinsam zu bebauen. Gut Ding braucht Weile…


Als Casa Matria arbeiten wir derzeit an einem umfassenderen Projekt:

Wir sind ein kleiner Grüngürtel inmitten einer Großstadt, ein Refugium für die buntesten Vögel und anderer Art-GenossInnen. Pflanzen - ein grünblaues Meer, viel sauberes Grundwasser.

Aber der Grüngürtel ist bedroht, Immobilienspekulation ist Teil des Problems, Müll ein weiteres. Die Wohnsicherheit der AnwohnerInnen wird ständig in Frage gestellt.
Direkt neben der Vila Brandão wird eines der größten Hochhäuser Lateinamerikas gebaut, eine riesige Grünfläche wurde bereits abgeholzt. 

Ein Park der schützenswerten Pflanzen schwebt uns vor - essbar, Schatten spendend, Rückzug für alle Tierchen.
Wir beginnen bereits mit der Bepflanzung des Abhangs, das gesamte Projekt wird demnächst vorgestellt.

(Foto@google.maps)






19/07/2014

Acabou a Copa – voltamos à normalidade!


A abertura da Copa foi violenta, na Vitória. Tive um confronto duro entre a PM, polícia de choque e várias outras unidades de polícia (com certeza, havia mais de 50 policiais em ação!) e um grupo de ca. 20 ativistas dos movimentos sociais, que fizeram uma manifestação contra a copa. Uma ação que demorou 20 minutos. A Vitória cheia de gás, teve muitos tiros, gente fugindo em pânico.
Durante o confronto, foram quebrados os vidros da sede da Honda.
Nessa violência indiferenciada, a polícia jogando bombas lacrimogênea por todo lugar. Caiu uma bomba lacrimogênea numa casa da comunidade da Califórnia (do lado do Vale do Canela). A família que estava dentro da casa sofreu queimaduras, tiveram crianças pequenas fechadas por medo na cozinha, cheia da gás!



Eu me pergunto porque a polícia tem tempo para essas ações, mas não tem capacidade de resolver os problemas de violência, de roubo e de drogas nas comunidades? Precisamos de ajuda pública para poder viver em paz. Porque é negada?

A Vila Brandão, o largo da Vitória e a mansão Wildenberger

As chuvas fortes de junho mostraram mais uma vez a ineficiência da administração pública …
Na Vila Brandão, estamos sofrendo da inércia da cidade para resolver os problemas que são de interesse público!
Uma das maiores obras de Salvador esta acontecendo do nosso lado, a mansão Wildenberger. Com grande cartazes, eles estão anunciando a contrapartida social da obra – reestruturação da Igreja da Vitória.
Cadê a contrapartida social para a nossa comunidade e as outras comunidades da Vitória e do Canela? 

Pelo contrário, a nossa situação esta piorando desde quando a obra começou. A descida na Vila Brandão sempre foi difícil, a ambulância não tem acesso! Mas agora, a obra quebrou os primeiros degraus da escada da descida, e estamos vivendo com uma improvisação de madeira mal feita – desde mais de 5 meses! Cabos de energia aéreos a poucos centímetro sobre as nossas cabeças… a passagem piorou!

O Largo da Vitória fica sujo e a sujeira desce diretamente na nossa comunidade, trazendo lixo e tóxicos (já achamos lixo tóxico do CATO na lixeira pública!). Essas águas contaminadas descem assim diretamente para o mar, deixando uma marca de sujeira na natureza, matando os peixes e a flora marina única que temos na Vitória.


Com a chuva, uma parte do morro desceu – bem em cima da área invadida ultimamente pelo Yachtclub.

Nós, da Casa Mátria, estamos tomando a frente para restaurar esse morro. Começamos fazer uma contenção com sacos com o nosso mestre Alex Fiúza – baseado num conceito de construção biológica:
Sacos de barro, junto com sacos de pedras formam uma base sólida para evitar a caída de mais terra. Estamos plantando vários arbustres para fortalecer essa contenção.

Mas precisamos da ajuda da cidade para resolver o problema do morro: não temos estrada viável, não temos descida praticável, dentro da comunidade, não tem um sistema para captar e canalizar as águas de chuva.
Esperamos uma resposta!

Silvia Jura, diretoria Casa Matria






20/09/2013

Parabens, Vila Brandão!


Bem vinda ASCOMVIBRA!  Viva Vila Brandão!



A nova Associação de Moradores da Comunidade de Vila Brandão - ASCOMVIBRA - elegeu no dia 13 de setembro 2013 a sua diretoria:

Presidente: Sr. Arivaldo Florentino Sampaio
Vice presidente: Sra. Joelia Ramos Bruno
Secretária: Sra. Vanda de Fátima Araújo Santos
Diretora de administração e finanças: Sra. Claudia Silva dos Santos
Diretor de educação, cultura e esporte: Sr. William Jesus dos Santos
Diretora de Comunicação: Ana Patrícia da Silva Santana
Conselho Fiscal I: Rita Almeida Santos Souza
Conselho Fiscal II: Egilda da Silva Lima

PARABÉNS!!!! É uma chapa maravilhosa, forte, unindo os líderes da comunidade!
Vocês podem contar com o nosso apoio!

É uma história que começou com Pai Seu Antônio e a sua casa de Oxalá. Axé prá essa comunidade inclinada na ladeira no barro. Uma história de resistência, de coragem, de muito trabalho. 
Uma história de brigas e de cooperações, de apóio, de sorte e de dramas.

É a história dos moradores, de varias familias, de lideres e seguidores. Viva o povo da Vila Brandão!



Foi essa luta também quem fortaleceu a comunidade, que facilitou o desenvolvimento de novas estruturas democráticas. A chegada de novos moradores trouce mais profissionais, cultura, arte e educação na comunidade, ajudando a fortalecer as estruturas de uma sociedade de direito. 

Agradecemos todos as iniciativas de  Marcondes Dourado, videomaker, artista e curador reconhecido em Salvador, em conjunto com Mariella Santiago, cantora poderosa, que trabalharam, já há 20 anos atrás, em prol da comunidade, para a arte fazer parte do dia dia. Não esquecemos o apóio da Casa Amarela,  a construção da estrada, facilitando muito o acesso à comunidade.

Lembramos ainda a Bióloga Petruska Araújo; ex-vice presidente da associação da vila brandao, que conseguiu organizar junto com os moradores, num momento drástico,  ações que impediram a desapropriaçao em 2009, grande organizadora e estrategista, seguida de Ana Pi, jovem produtora de video, artísta mineira, que com toda a arte e profissionalidade estava nas primeiras filas dessa ação, o trompetísta  João Teoria, que toca com Carlinhos Brown e outros, apoiando com alguns concertos do seu grupo de Salsa, Rita Cajaíba - produzindo um video clip na comunidade, Laura Fresno, espanhola e professora do instituto da aliança francesa, que conseguiu algumas vagas para aulas de francês. Não da esquecer  o apóio da UFBA, que fez vários projetos de visibilidade da Vila Brandão, os ativistas internacionais que passaram e fizerem alguns documentários. Etc…

E claramente, somos orgulhosos da nossa participação nessa luta dos últimos 10 anos, as inumeráveis discussões, o nosso apoio democrático, internacional, político, artístico, educativo… A nossa presença no Fórum Social da Bahia, a luta pela Casa Matria e a realização dos projetos em condições difíceis, as iniciativas para uma agricultura urbana, a micro-econômia, as ofertas educativas de dança, teatro, cultura, inglês. 

O processo de intercâmbio contínuo entre o mundo de fora e o mundo de dentro, quebrando assim com a isolaçao e a divisão de classe, além de abrir outras perspectivas dentro do micro-turismo, para muitos dando oportunidade financeiras. 


A força dos moradores, a persistência, mas sobre tudo a não violência da comunidade garantiram um progresso maravilhoso.


A luta continua. Falta muito ainda no nosso bairro. 

Falta uma escada descente que da acesso ao Largo da Vitória, saída e entrada principal da vila, uma estrada praticável, falta a coleta do lixo, falta a iluminação pública. Falta um jardim público, um praçinha onde as crianças possam brincar, florzinhas nas paredes e os banquinhos para que os idosos possam sentar na sombra de árvores, que dê a dignidade do belo. Faltam as festas populares.
Falta a horta comunitária, os árvores frutíferos, ainda não participamos de um programa de recuperação e proteção do nosso mar maravilhoso, de reprodução dos peixes de aquário, da proteção das tartarugas do mar, do fortalecer da diversidade ambiental - dos inúmeros pássaros, das várias famílias de macacos, dos insetos e das ervas que temos, no centro da cidade.
Falta o programa de autonômia de energia, de recuperação das águas…

Pra realizar tudo isso, falta o nosso direito fundamental: a regularização fundiária.
Mas o processo esta indo numa boa direção: 

A união faz a força - e a força faz cidadãos e cidadãs com direitos. 
A nova associação d@s morador@s ASCOMVIBRA é o resultado de um processo democrático e participativo. Estamos extremamente felizes com a retomada desse processo democratico, que elegeu a associação nova e mais ainda de ter participado ativamente, dando a iniciativa, incentivando a conciência coletiva, em maio 2013  com o projeto:

REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA - INSTRUMENTO DE EMPODERAMENTO
um projeto de construção coletiva,
proposto por "Espaço Público: cidade, pessoas e idéias",
em parceria com "Casa Matria - arte, cultura e cidadania"
Agradecemos os nossos parceiros Irã Ribeiro e Frank Handeler pela organização e o suporte às atividades desenvolvidas, o nosso grande "Parabéns" vão a equipe do "Espaço Público" - Igor Borges  e Laila Bouças, quem, com apoio do colega Prof. Rodrighy, se dedicaram com muita energia a fortalecer esse processo de formação da associação.

Sobretudo, parabenizamos a nova diretoria - morador@s valentes que se disponibilizam para realizar o sonho comum: 

Uma Vila Brandão modelo - 
que mostra que um outro mundo é possível!

a Diretoria de Casa Matria 
incubadora de projetos // Arte - Cultura - Cidadania

Célia Mara, Silvia Jura e Nancy Sears