08/10/2015

O uso do poder publico como corpo de repressão



Que dia! Enquanto tomamos o nosso café da manha, recebemos uma visita inesperada, de muitos homens – entraram só uns cinqo, mas na frente da porta e na entrada da comunidade esperavam mais cinqo guardas municipais armados até os dentes, com metralhadoras na mão. Já sabemos de uma outra visita anterior, onde eles não nos acharam. Chegando também com cinco homens armados…  E tudo isso comunicado pela ASCOMVIBRA como troféu na luta contra… o que?!


Estou me perguntando o que esta acontecendo: a SUCOM vê interditar a nossa MEI em formação, ainda antes do prazo da formalização. Vem uma primeira vez, sem achar nada; vem uma segunda vez, sempre sem achar nada. Agora, foi a terceira visita. Sempre antes dos prazos estabelecidos por eles mesmos - e nos, na legalidade completa, seguindo os passos administrativos.

Parece bem estranho, não é?  A nossa casa é e sempre foi uma casa aberta, cheia de gente do mundo inteiro. É uma residência artística e de pesquisa, sem fins lucrativos, onde estamos construindo um projeto de Bem Viver. Recebemos amig@s artistas e pesquisadores do mundo inteiro para trabalhar juntos num conceito de uma sociedade mais justa, mais ecológica, mais feminista…

A SUCOM vem interditar – sem saber o que eles procuraram exatamente. Será que se trata do projeto de educação oferecido por uma Educadora de Arte, são as aulas de Capoeira, é produção musical - os nossos projetos para 2016? O sera a nossa hospitalidade, as visitas d@s noss@s amig@s? O trata-se simplesmente impedir de comentar no Blog www.casamatria.net?



Estamos incomodando alguém, propagando os direitos da comunidade, agitando contra um contrato de comodato ilegal entre o Iate Clube da Bahia e a Igreja da Vitoria, apoiado pela ASCOMVIBRA. 
As nossas atividades no dia dia, explicar detalhes desse contrato de comodato e as suas conseqüências de perca dos direitos de território á população da Vila Brandão, assim como facilitar o acesso aos direitos garantidos, chamando a intervenção da Defensoria Publica para apoiar os moradores, estão disturbando os grupos interessados num projeto de expansão imobiliaría facil.
Mas vivendo num pais democrático, respeitando as leis, protegidas pelas instituições democráticas e por um governo democrático, não vamos nos calar.
Casa Mátria é um espaço de sonhos, um lugar onde acreditamos num mundo melhor - num Bem Viver parar tod@s.  
E nem intriga, mentira o pressão institucional vão acabar com esse sonho.

PS: Só pra lembrar o assunto maior: O Iate Clube pretende tomar posse das terras verdes publicas da comunidade Vila Brandão para construir mais estaleiros - e oferece em contrapartida um contrato de comodato á Paroquia da Vitória, referente ao campinho da comunidade. A ASCOMVIBRA, associação de alguns moradores não legalizada, apoia essa ação.



25/08/2015

Iya Adunni Olorisha Susanne Wenger - do rio Oshun - em memorial



Babalorixá Anderson na Áustria

Julho foi um mês intenso, na Áustria. Foi um período de candomblé com Babalorixá Anderson nas instituições, na imprensa, nos museus, nos festivais… Um período para juntar povo de santo e amig@s, para conectar African@s, Brasileir@s, Latin@s e Austríac@s de todas as cores. Falamos muito de religião e cultura, de historia e atualidade, de direitos humanos, respeito, luta contra a intolerância religiosa e a discriminação racial.
Nos, Silvia Jura e Célia Mara, diretoras da globalista e da Casa Matria, queremos agradecer mais uma vez ao nosso Pai, Babalorixá Anderson de Oxalá do Ilê Axé Obatalandê pela presença absoluta, a força das suas falas e o empenho para construir perspectivas de um mundo melhor. Parecia um presente dos Deuses que nos conectou com as forças ancestrais do Brasil – na Áustria.

Aru Kuxipa e Ernesto Neto 

Foram os espíritos indígenas a acolher o Babalorixá no Aru Kuxipa, espaço sagrado dos Huni Kuin, montado temporariamente em Viena. O contexto: uma exposição do artista brasileiro Ernesto Neto, no museu tba21 em Viena, onde aconteceu um seminário sobre a cura e o poder das plantas sagradas. O livro das plantas sagradas dos Huni Kuin foi apresentado ao publico - declarando com esse ato tambèm a soverania dos povos Huni Kuin sobre a sabedoria das plantas - evitando futuras questões de patentes de empresas farmacéuticas americanas!

Susanne Wenger Foundation

E mais um encontro de grande Axé, nunca esperado, aconteceu: três dos grandes sacerdotes Ioruba trocaram Axé com Babalorixá Anderson na cidade de Krems, no interior da Áustria. A princesa de Oshun, sacerdota Adedoyin Faniyi Talabi Olosun, o sacerdote e artista Shangodare Gbadegesin Ajala e o sacerdote e artista Akintunde Sangosakin Ajala. Todos eles filhos e filhas adotivos de Iya Adunni Olorisha Susan Wenger. Susan Wenger foi uma artista plástica austríaca, sacerdota de Oshun, que viveu 60 anos em Oshogbo/Nigéria e consagrou a sua vida á defesa da cultura ioruba. Chamada pelo Ifá, ela foi encarregada de reconstruir os lugares sacros dos Ioruba, lugares de natureza, terreiros e casas dos santos. Constrói templos imensos, estatuas… Se criou um movimento artístico junto a ela, formado por jovens artistas ioruba – “the sacred art” - a arte sagrada. O que eles deixaram foi declarado patrimônio da humanidade pela UNESCO.



A luta para defender a diversidade cultural Ioruba é grande, na Nigéria também. É uma luta contra o abandono, o esquecimento, mas também contra os movimentos evangélicos pentecostais, contra o Islam. dominador e unificador. Susanne Wenger, iniciada como Olorisha, sacerdota Ioruba, foi uma pessoa cheia da poesia, mitologia e religião dos Ioruba. Ela se dedicou como artista contemporânea, visionária e livre com a clareza transcendental da sua arte, a preservação da cultura. Ela morreu em 2009. Em Krems, Wolfgang Denk, fundador do museu internacional de arte contemporânea “Kunsthalle Krems”, com a sua esposa, Martha Denk, abriram um espaço de lembrança a Susanne Wenger e as suas obras, a fundação Susanne Wenger – um espaço que acolhe artistas e ajude a difundir a cultura Ioruba no mundo. Agradecemos o Dr. Wolfgang Denk por ter nos recebido e aberto essa ponte com os grandes sacerdotes Ioruba.
Adupe Olorum! …


 
In the Studio with Sangodare from Rainer Doost on Vimeo.


11/08/2015

A difusão da cultura afro-brasileira na Austria

Num período difícil para Salvador, onde a especulação imobiliária esta se expandindo para dominar a cidade inteira, destruindo o patrimônio da humanidade protejido pela UNESCO, a cultura tradicional e bohémia, e - sobre tudo - calando a voz da população,  num momento de grande luta entre os interesses das oligarquias e da sociedade civil, nos nos concentramos na realização de um projeto em pro da difusão da cultura afro-brasileira na Áustria e da conscientização publica sobre os problemas atuais de Salvador.

Babalorixá Anderson no tba21, exposição de Ernesto Neto e do povo Huni Kuin


A Globalista convidou Babalorixá Anderson de Oxalá, parceiro da Casa Matria, para uma serie de eventos na Áustria. Foram dez dias de palestras, de encontros, de entrevistas e de construção de novas redes, divulgando o Candomblé,  o respeito da cultura afro-brasileira e do povo negro, da promoção da igualdade racial. Divulgamos a critica a intolerância religiosa e a gentrificação cruel da cidade de Salvador. 

Embaixador Evandro Didonet, Silvia Jura, Babalorixa Anderson,  Secretária de cultura Miriam Leitão

Entre os encontros oficiais, vale ressaltar o recebimento pelo Embaixador Brasileiro e a secretaria de cultura e o encontro com as maiores autoridades do culto aos Orishas na Nigéria, o grande sacerdote Highpriest Sangodare Gbadegesin Ajala e a princesa de Oxum, Doyin Olosun do Òsogbo/Nigéria.
Wolfgang Friedrich Denk, diretor da fundação Susanne Wenger e hospedes

O Babalorixá ofereceu falas e rodas de discussões sobre o Candomblé e a cultura afro-brasileira no Weltmuseum, no museu tba21 de Francisca Habsburg, no contexto da exposição de Ernesto Neto, no centro cultural Ku-Hof/Linz e 5 dias de palestras no festival africano Kasumama.


Fala de Anderson @ Kasumama
Anderson de Oxala deu varias entrevistas para a radio nacional, para radios privadas e TV, uma fala foi transmitida ao vivo numa TV-local, Silvia Jura foi entrevistada sobre a questão da gentrificação em Salvador.

Babalorixa Anderson na radio Orange


Weltmuseum Wien

Weltmuseum Wien - Babalorixa Anderson, Silvia Jura
Nos encontros preparatórios e tb. consecutivos, foram importante as trocas de informações com a UNESCO e com Auma Obama, irmã do presidente dos Estados Unidos.
Se abriram muitas cooperações novas, a rede para um mundo melhor, sem racismo e discriminação é uma rede internacional com gente solidaría no mundo inteiro.

Célia Mara e Auma Obama, a irmão do presidente Barack Obama


Seguem algumas fotos
Aru Kuxipa & Candomblê Weltmuseum Wien - Vortrag Babalorixa Anderson Kasumama Open Stage 2015




08/07/2015

No dia 20 de junho, a Casa Matria recebeu o Sarau do Audiovisual. 


Realizado em parceria com a produtora Cranium Audiovisual. O Sarau do Audiovisual é um evento de multilinguagens artísticas, tendo como base, um Cine-Clube.


A atividade foi realizada no Centro Cultural Casa Mátria, na Vila Brandão, Salvador-BA. 



Durante o evento foram exibidos filmes de artistas/produtores independentes e clássicos do cinema, seguido de discussões sobre os temas relacionados.



Em seguida aconteceu o recital de poesias que contou com a apresentação da Poetisa Luciana Estrela.



 Na sequência aconteceu o pocket show musical com Marcos Cacequi, o Urbano Poeta.



Além do mais, o evento contou também com o "Beijú Cinematográfico", mostras de artes visuais em roupas pelo Coletivo Mart e performances de convidados, como Tatiana Rocha e dos Residentes Luan Gusmão e Uri Menezes.

 

Visitem a Casa Matria, contribuam e desfrutem das nossas ações.
Parabésn Cranium Audiovisual.

Buen Vivir para tod@s!

01/05/2015

Casa Matria



 A Casa Matria inicia uma nova etapa no ciclo natural das construções sociais. Ampliando as possibilidades de fomentação cultural, estamos organizando atividades artísticas diversas, convocando grupos e qualificando o espaço físico para melhor atender. 

 Com o intuito de agregar, vamos trabalhando dia a dia nesta missão, sendo que necessitamos da vontade de todos para que algo grande aconteça. Dentre tantas atrocidades que acontecem no cotidiano da nossa cidade, temos a Casa Matria, como um ponto de paz e organização cultural. As lutas que envolvem nossa instituição são amplas; Ambiental, tendo em vista a verdadeira guerra desproporcional com grandes corporações que devoram o meio ambiente, a exclusão da população ao cotidiano artístico e da educação de base. Tantos problemas para citar, mas estamos dedicados em contribuir na diminuição destes danos sociais. 

 Outro ponto especifico desta luta é a união da sociedade civil, este que anda em passos lentos  e atrasados nos interesses pessoais, esquece que unindo as forças, vamos não somente melhorar a nossa situação pessoal, mas mudaremos um
todo. Com a proposta de informação para formação, estamos organizando cines clubes, saraus, encontro musicais, oficinas diversas, palestras, fornecendo espaço de ensaio, grupos de estudos. Sempre pensando em uma causa maior, o Buen Vivir, a relação humana e a arte que nos move diariamente.
A doação de cada envolvido será ponto chave desta luta.
Nossa bandeira é simples e justa, seguir nossa constituição de forma clara e defendendo o verdadeiro progresso, o bem estar.

Constituem objetivos fundamentais da República, segundo o artigo 3º:
1 - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Diz o art. 40 que a República Federativa do Brasil rege-­se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
II - prevalência dos direitos humanos;
III - autodeterminação dos povos;
IV - não-intervenção;
V - igualdade entre os Estados;
VII – solução pacífica dos conflitos;
VIII - repúdio (...) racismo;
IX - Cooperação entre os povos para o progresso da humanidade.
No art. 5º estatui a Constituição Brasileira que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito ã vida, à liberdade, à igualdade, á segurança e à propriedade.


  
    


26/03/2015

A Vila Brandão e o cavalo de Troia

Parece um presente dos Deuses – a comunidade Vila Brandão, localizada na encosta da Vitória, foi procurada pelos seus vizinhos poderosos para receber benfeitorias maravilhosas:
Um campinho de futebol digno, uma escada que desce até o mar, um dia das crianças com presentes, churrasco, bingo e festa para todos!

(fotos © ASCOMVIBRA / facebook/vilabrandão)


Tudo beleza, questão de responsabilidade social, um projeto de integração entre os bairros nobres e a ultima comunidade no meio…  o tem algo atrás dessa benfeitoria, que não seja visível no primeiro momento?

O Iate Clube tomou a frente. Se mostrou generoso, dessa vez, vindo com presentes e palavras doces. Veio para negociar uma “benfeitoria” á comunidade, afirmando no mesmo momento de ser o dono legítimo de toda essa zona verde na encosta da Vitoria, localizada ao redor, no baixo da Vila Brandão, na frente ao mar.

Se trata de uma zona verde de aprox. 4500 m2, onde tem um campinho de bambu, que sempre foi na posse da comunidade – o único lugar de lazer para as pessoas morando em casas pequenos, em becos estreitos, sem ventilação. É uma área onde os jovens da comunidade troquem os primeiros beijos e os meninos vão para “esfriar a cabeça…”, é lá onde vive uma multidão de pássaros, onde as plantas sagradas do Candomblé tem espaço para se multiplicarem.
E, sobre tudo, se trata de um pequena praia (grande parte da costa já foi invadida e privatizada pelo Iate Clube nos últimos 10 – 15 anos). Essa praia é a última praia publica da Vitória, oferecendo uma piscina natural para mergulho, um aquário cheio de peixes de todas as cores, espécies protegidas, corais… 
O Iate Clube gostaria ter um quebra-mar para criar mais vagas molhadas para os barcos deles. É a praia dos pescadores da Vila Brandão, é o lugar de lazer das famílias nos domingos, é o mar – um lugar para todos que gostam de um pouco de paz.



O Iate Clube estava com muita pressa para começar as obras de benfeitoria. A ASCOMVIBRA, associação de moradores criada recentemente, não aceitou nenhuma opinião contraria á construção do campinho.
E assim, o Iate Clube começou com as obras no inicio do mês de março, colocando tubos grossos do largo da Vitória até a comunidade, para descer o material de construção. Os tubos passaram na escada, dificultando ainda mais a descida íngreme, numa escadaria quebrada, irregular e estreita. Chegou muito material; vieram engenheiros, trabalhadores, limparam o campinho, mediram…  aprontaram o trabalho.
 


Rápido, no primeiro dia, eles fecharam com uma cerca alta de maderite uma obra que já foi embargada há anos, uma área de cimento que era de uso da comunidade, na beira do mar.  Agora, o acesso esta fechado pelos moradores.


No campinho de bambu, já tinha uma vez uma praçinha com brinquedos, oferecida por um prefeito á comunidade. Já tinha uma escada para descer lá, construído pela comunidade com o apoio dos vizinhos da casa Amarela.
Isso tudo foi destruído pelos homens do Iate Clube, há um 7 anos, que chegaram armados para tirar o brinquedo e jogar ele no mar.

E agora? Eles mudaram de idéia? Começaram de gostar da comunidade?

O presente oferecido é um cavalo de Troia: lindo, bonito, brilhante… com a bomba para estourar apenas aceito.
O Iate Clube ofereceu um contrato de comodato para o uso do campinho, de 1000 m2 a ––– Paróquia da Vitoria! Uma esquadra de esporte multifuncional, moderna, de concreto… no lugar do campinho de bambu, de posse da comunidade. O padre será o responsável do projeto.
E a associação ASCOMVIBRA, que se diz representante da comunidade, não assinou nada – dizem eles – mas pretendem que vão receber tudo! Acreditam que o campinho será da comunidade, em uso temporário. Um contrato de 25 anos (com clausulas que ninguém conhece) entre a Paróquia e o Iate Clube. Detalhe interessante: a chave do campinho fica na mão do padre. Depois desse prazo, acabou o acesso da comunidade ao campinho.
A ASCOMVIBRA aceita a tomada de posse da praia e de toda a zona verde, uma aérea de 4.000 m2 pelo Iate Clube em “contrapartida” da quadra poliesportiva. O Clube pretende construir estaleiros de 3 andares nessa ultima zona verde publica da Vitoria. E fechar tudo com um muro para impedir o acesso dos moradores. E o acesso ao mar, a praia no futuro… fica nas nuvens!
Toda a ação é completamente intransparente – a tal ponto que, a semana retrasada, foi chamada a Ouvidoria Publica do Estado da Bahia para investigar em pro da comunidade.
Eles vieram no local – e decidiram de convidar todas as partes interessadas numa audiência publica – dia 27.03.2015.
Foram convidados o Iate Clube, a Paróquia da Vitória, o prédio Wildenberg, a ASCOMVIBRA e todos os moradores e vizinhos interessados. Foi convidado também um representante da Prefeitura, o coordenador do programa Ouvindo Nosso Bairro, que já se comprometeu de realizar as melhorias necessárias para a comunidade.
O prédio Wildenberg, também, no processo do alvará de construção, foi obrigado de oferecer uma contrapartida social a comunidade.



A penas chegou o convite da Ouvidoria, o Iate Clube parou as obras. Retirou os tubos, tirou o material de construção do campinho, desfez todas as traças. Os trabalhadores sumiram de novo no território cercado do Clube.
Algumas pessoas da comunidade ficaram revoltadas com os moradores que apresentaram argumentos contra o projeto do campinho e defenderam outros caminhos, um clima de agressão se criou!
Acabou o sonho do grande presente?
O cavalo de Tróia ainda esta esperando o momento dele…

Informações detalhadas:
Responsável pela edição: Silvia Jura – Célia Mara  
Tel: +71-9390-6947

15/03/2015

Prepôtencia e mentiras: O Iate Clube e a comunidade Vila Brandão

Encontro marcado. O horário é flexível. O tempo não tem muito valor, aqui na Vila Brandão.
No campinho, na sombra dos bambu, um grupo de 10-15 pessoas esta esperando a chegada dos “homens”, dos representantes do super poderoso Iate Clube. Um projeto de benfeitoria para a comunidade foi anunciado. O presidente de um recém formada associação de moradores, a ASCOMVIBRA, é orgulhoso de apresentar a nova cooperação.

E lá vem eles - uma equipe de 4 homens brancos, todos bem vestidos, estilo informal –  arquiteto, engenheiro, responsável do Iate, assistente… Chegam sem se apresentar, só um shake-hand bem machista com o presidente da associação. Os homens abrem um mapa, explicando logo que a escada passara por aí e tudo será melhor.
Não querem responder as minhas perguntas. Não querem aceitar que se trata de um encontro com puro caráter informativo, que não é negociação. Não querem passar o mapa com projeto detalhado pra poder analisar-lo com calma, o projeto é só de palavra… mas a palavra deles vale!
Se contradizem muitas vezes. Não gostam serem filmados, evitam respostas as perguntas direitas.
Filmamos – e publicamos um pedaçinho aqui. Só pra vocês, car@s letor@as, sentirem como é a relação entre gente comum e os poderosos que tem um objetivo claro:

invadir uma área publica no valor de aproximativamente 20 milliões de Reais, na posse da comunidade da 80 anos. A áera em questão é uma ampla zona verde, um campinho de bambu e uma praia com piscina natural. É o ultima acesso publico ao mar na Vitória.



Seguem algumas afirmações dos “homens” anônimos (como já falei, infelizmente, não se apresentaram):
1.    O Iate Clube não precisa negociar com a comunidade, fera um contrato com a igreja, representante legitimo da comunidade. 
2.    Se trata de um contrato de comodato, porque não é uma doação mas é temporário.
3.    O mapa não mostra toda a realidade, porque a topografia é diferente… 
4.    Toda a aera em questão é de propriedade do Iate Clube, com escritura, sem litígio. 
5.    A construção da escadaria poderia criar problema com IBAMA, União e ser embargada, mas tudo bem… vamos ver. 
6.    O Iate Clube vai cercar toda a zona verde (infelizmente, o mapa não tem escada, assim não podemos saber qual é a distancia prevista entre as casas e a cerca) para construir estaleiros. 
7.    E muitas palavras, blábláblá…
Nos estamos com o projeto do Iate Clube na mão. Eles publicaram com antecedência na própria revista. È um projeto scandalóso, de olho grosso na posse da comunidade, invadindo terreno publico. Eles querem fechar o acesso publico ao mar para construir mais estaleiros, quadras poliesportivas e de tênis para os próprios sócios.
O projeto não prevê uma contrapartida social para a nossa comunidade, mas um Iate Clube que devera crescer sempre.
O Iate Clube esta fazendo pressão para começar com as obras. O presidente das Associação ASCOMVIBRA tambèm. Tem crianças na sua prossimidade que começam a jogar pedras nas nossas amigas e aos adversários ao projeto. 

E, entre nos, estou com mais uma duvida… a Paróquia da Vitória vai assinar um contrato de comodato de uma posse que não é dela?

Vila Brandão: 15 de março – ditadura, nunca mais!
Algumas reflexões sobre as relações em tempos autoritários, sistemas coloniais, e relacionamentos do tipo casa grande e senzala.



11/03/2015

A última zona verde da Vitória está em perigo!

As obras estão começando hoje - descem tubos imensos do largo da Vitoria para colocar o concreto diretamente na ultima  zona verde publica da Vitoria, o acesso a praia esta sendo fechado… o Iate Clube se expande.

Mesmo que aquela área está protegida pelo Decreto Municipal como área não edificável.




Uma comunidade para proteger a zona verde publica


A Vila Brandão, com a sua localização privilegiada, uma comunidade de pescadores nas encostas da Vitória há 80 anos, é um reduto de resistência às tentativas de desapropriação, intimidação, especulação imobiliária etc...
Há 5 anos, chegou até o presidente Lula o ato contra a violência que a comunidade sofreu – a tentativa de desapropriação decretada pelo ex-prefeito João Henrique favorizando construtoras selecionadas, suas  “afilhadas”.
A Vila resistiu – mas a luta continua.
Nesse momento, é uma luta judicial, contra um contrato que parece sair do manual „como enganar pobre“. Se trata de um contrato de comodato entre o Iate Clube e alguns moradores da Vila Brandão. 

Comodato ou 20 milhões na mão - quem perde é a sociedade! 



@googlemaps:

20: zona vendida ultimamente por 20 mio. ao predio Wildenberg

W: zona de desmatamento para construção do predio Wildenberg
0: zona verde publica da Vila Brandão com valor 0.- de pretenção do Yate Clube
Y: zona atual de expansão do Yate Clube 


Esse contrato de comodato, que nunca foi discutido publicamente (nós, do projeto Casa Mátria, nem tivemos o direito de vê-lo) doa uma aérea do tamanho de dois campos de futebol mais a praia, tudo de posse da comunidade, ao Yate Clube. Para construir estaleiros!
Se trata da última zona verde pública da Vitória. 
O Iate, em contrapartida, pretende fazer uma “benfeitoria” a Vila Brandão: concretizar o campinho de futebol e transformar essa posse da comunidade em contrato de comodato de 25 anos.
Interessante é saber que a área localizada do outro lado desse campinho, de ca. 4.000 m2, de posse de uma família de classe media alta há só 30 anos, foi adquirida pela mansão Wildenberg, prédio de alto luxo em construção, por um valor de 20 Milliões de Reais.
Alguém entende porque um terreno na posse de uma comunidade, não vale nada e o outro, a 100 metros de distância, tem um valor imenso?

A outra questão que nos deixou com boca aberta é esse contrato de comodato.
Um comodato é um contrato entre duas partes que prevê que alguém (comodante) entrega a outro (comodatário) um bem imóvel, para ser usado temporariamente para que seja depois restituído em perfeito estado. O comodante guarda a propriedade da coisa e o comodatário adquire a posse…Mas, no caso do comodato entre a Vila Brandão e do Iate Clube, tem um detalhe interessante: o Iate se declara proprietário de uma zona que nunca teve a posse, a Vila perde os próprios direitos de posse e vira comodatário, com obrigação de, depois do uso temporário de 25 anos – ou menos, restituir o campinho de futebol ao Yate – em estado perfeito.


Tudo pelos socios do Yate Clube - nada pela população de Salvador?



Esse contrato é a realização do projeto do Yate Clube, já descrito na revista Yacht em 2011:
“O clube terá que crescer sempre
O projeto do novo estaleiro prevê ampliação de vagas secas e molhadas, alem de implantação de uma quadra de tênis!"

A capa da revista já nos mostra até onde irá o caminho – acabou a Vila Brandão, acabou o acesso dos pescadores ao mar, acabou a última praia pública da Vitória! O Yate pretende construir estaleiros de 3 andares em beira mar e fechar a ultima praia publica!

Queremos uma zona verde publica - um acesso ao mar para tod@s

A luta da Vila Brandão, junta aos moradores da Graça, da Vitória e da Barra continua:
Queremos um lugar para todos, uma zona verde de fácil acesso para a Vila Brandão e suas famílias, para os moradores da Graça, da Vitória, da Barra – para a cidade de Salvador.
Queremos uma praia viável para os nossos pescadores, para o projeto de natação do campeão de triátlon Alleyson Leite!

Queremos uma zona pública na beira mar, um mar de fácil acesso para mergulho, natação e stand up, uma zona de reflorestamento de mata atlântica para abrigar toda biodiversidade da nossa área – os pássaros, papagaios, micos que estão vivendo aqui.
A Vila Brandão, a sua zona verde e a praia dos pescadores são patrimônio público. Vamos salvá-la da especulação Imobiliária - da privatisação!



17/10/2014

Yachtclub, Especulação na Brandão e um outro esemplo: Vila Autódromo


A Vila Brandão esta sofrendo de novo, nesse período, um ataque pesado pelo Yachtclub. 
Vou postar em breve um artigo detalhado sobre o projeto do Yachtclub, que prevê a eliminação a longo prazo da nossa Comunidade, colocando prédios de 3 andares, estaleiros e oficinas na beira do mar - na ultima zona verde publica da Vitoria!
O projeto prevê um quadra esportiva de uso e acesso exclusivo pelos sócios do Yachtclub  - no lugar da aera verde da comunidade, único lugar recreativo dos moradores da Vila Brandão e das comunidades nas vizinhanças. Se trata do ultimo acesso ao mar livre e publico na Vitoria!
(projeto: palestras esportivas / casamatria 2011)

O Yachtclub, que esta invadindo da tempo o terreno da marina para se enriquecer, esta negociando um contrato de aluguel (comodato) para essa quadra por os próximos 25 anos á comunidade. Depois acaba o direito de usar o espaço.
Porque a associação dos moradores da Vila Brandão quer assinar um contrato desse tipo? Quero respostas!
Vamos apresentar mais fatos no próximo post. 

Mas agora, quero mostrar um exemplo de uma comunidade no Rio de Janeiro, que esta lutando com vários métodos contra a especulação imobiliária. Um exemplo para a Vila Brandão, um exemplo pela associação dos moradores.



A Vila Autódromo é uma comunidade muito parecida com a Vila Brandão o a Gamboa

Localizada em área privilegiada da cidade do Rio de Janeiro, na lagoa de Jacarepaguá, está refém de especulação imobiliária. Uma comunidade que existe ha mais de 30 anos, formalizada, representada pela defensoria publica… 
A associação dos moradores abriu uma parceria multidisciplinar com arquitetos, urbanistas, sociólogos com a ETTERN na UFRJ e criaram planos alternativos pela comunidade - incluindo os aspectos de saúde, educação, saneamento básico, transporte etc.… Projetos que ganharam prêmios internacionais do Banco Alemão para serem realizados.
Mas o prefeito do Rio não quer a pareceria urbanística com a comunidade!
Ultimamente, pelas Olympiades, o grupo imobiliário Carvalho Hosken (proprietário de muita terra nas vizinhanças), junto aos conglomerados ODEBRECHT  & Andrade Gutierrez, presentearam um novo projeto pelo parco olímpico - e o prefeito Eduardo Paes (PMDB)quis remover os moradores.
A metade da comunidade esta em resistência, algumas famílias aceitaram a mudança em apartamentos do Programa Minha Casa Minha Vida a 1 KM da Vila, no Parque residencial Carioca, outras decideram ficar – e lutar parar uma re-urbanisação da comunidade, incluindo saneamento basico, crêche, ruas etc… 
Vcs. podem ler o artigo em baixo para se informar mais. 
É um exemplo da luta de uma sociedade civil forte e organizada para afrontar um governo PMDB, liderado pelo prefeito Eduardo Paes no Rio de Janeiro.


http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2014/09/moradores-da-vila-autodromo-protestam-por-urbanizacao-da-comunidade

http://favelissues.com/2011/12/14/the-olympic-juggernaut-hits-rio-de-janeiro-is-there-a-compelling-new-story-2/

http://www.boell.de/de/2014/04/19/ein-gallisches-dorf-brasilien